Aí sim, fomos surpreendidos novamente.
O apresentador, editor-chefe e culpado pela “nova cara” do Globo Esporte, Tiago Leifert, foi convidado por alunos da Universidade Anhembi Morumbi à ministrar uma palestra sobre jornalismo esportivo.
A palestra, ou melhor, o “bate-papo”, como Tiago prefere chamar, aconteceu hoje à tarde no campus Vila Olímpia. Mesmo um pouco gripado, ele esbanjou disposição ao longo de descontraídas duas horas e meia.
Tiago começou a palestra nos contando sua história profissional que, inevitavelmente, se confundiu com a pessoal, falou sobre a escolha por jornalismo e a decepção que sofreu quando começou o curso no Brasil, disse que desistiu ainda no começo e que, um dia, ao visitar a namorada que estudava nos Estados Unidos, conheceu a Universidade de Miami que lhe interessou muito, tanto pela infra-estrutura quanto pela metodologia do curso, onde, então, resolveu estudar Telejornalismo.
Ele nem tirou férias para concluir o curso em dois anos. Ainda fez psicologia e estagiou na rede americana NBC. Antes de ser efetivado, ele viu o estágio chegar ao fim por culpa de seu visto, prestes à vencer. Como ele nos disse: “O bom dos americanos é que eles são diretos. Meu chefe me chamou e falou que eu era um bom funcionário, mas que meu visto estava vencendo, e que poderia contratar um americano tão bom quanto eu, sem gastar mais nada”.
Com o visto de estudante expirado, ele voltou para o Brasil. Uma semana depois de chegar, recebeu uma ligação de seu ex-chefe, dizendo que estava tudo certo para sua efetivação. Tiago não pensou duas vezes, agradeceu a oportunidade e resolveu ficar onde estava.
No Brasil, começou a trabalhar na TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, foi para o SporTV, onde, segundo ele, unia televisão e esporte, sem fazer jornalismo. “Esporte não é jornalismo, é entretenimento. É o que faço até hoje”.

O passo seguinte foi o mais difícil: trabalhar na TV Globo. Lá, Tiago teve que enfrentar um estigma: ser filho de Gilberto Leifert, diretor administrativo da casa há mais de vinte anos. A coincidência gerou preconceito e desconfiança de seus colegas. “Na hora do almoço, eles sempre convidavam uns aos outros e também sempre me poupavam do convite”.
Tiago diz que sempre ouvia piadinhas sarcásticas nos corredores, e que também se “vingava” às vezes. “Quando eles vinham me cumprimentar por alguma matéria, eu respondia: ‘Gostou? Foi meu pai que editou, ele é ótimo.’ Ironicamente.”
Certa vez, quando seu pai estava prestes a receber um prêmio e sua mãe e irmã não poderiam comparecer a cerimônia, precisou sair mais cedo e ouviu um colega dizendo que ele estava ficando “folgado”, então respondeu: “Pô, tenho que prestigiar meu pai, afinal foi ele que me arrumou esse emprego né, fica chato. Vai que ele resolve me demitir”.
Tiago não guarda mágoas dessa época, diz que isso é consideravelmente normal no meio em que vive, e que hoje trabalha com as mesmas pessoas que desconfiavam dele e que “estraçalhavam” suas matérias na edição.
Atualmente no comando e apresentação do Globo Esporte, ele mantém os pés no chão, sabe que o que faz é inovador hoje, mas que um dia será ultrapasado. Tiago, enfim, é reconhecido por seu trabalho, e por sua simpatia encantadora.
Após o “bate-papo”, teve mais bate-papo, o microfone foi aberto ao público e ele respondeu algumas dúvidas pertinentes e impertinentes, debateu sobre polêmicas futebolísticas e ainda rolou uma disputa de videogame.
O Real Madri de Tiago perdeu honrosamente por 4×2 para o Barcelona do aluno.




